sexta-feira, 26 de março de 2010

A outra face da história...

Havia decidido que o certo era deixar passar um tempo até este segundo desabafo, mas acho que este é o momento para o fazer. Tinha prometido a mim mesma não referir aqui o que ainda sinto, e focar-me somente no que já senti, pois os meus sentimentos de agora já não interessam mais. No entanto, há alguns aspectos que deves saber - sobre mim, ti ou nós (se é que algum dia consideraste haver um “nós”) que considero cruciais para que percebas bem o texto anterior.

Ainda sinto o coração a pulsar cada vez mais forte, quando os meus olhos se cruzam com os teus! Já diz a célebre frase: “O que os olhos não vêem o coração não sente”. É assim que tem de ser por agora – distância de ti e sentimentos à parte. Embora o meu desejo mais profundo, não seja esse, tenho feito mais do que imaginas para fazer jus a esta frase. Passo por cima de vontades, de desejos, de sentimentos, para que não corra o risco de me cruzar contigo novamente. A verdade é que tem resultado, tenho estado bem comigo mesma e é isso que verdadeiramente importa agora. Já me importei demasiado contigo, quando tu, e sabes bem disso, fizeste-o por metade. E lá estava eu, após dias de luta constante pelo meu bem-estar, mais do que convencida que já me estavas a ser indiferente, e isso, é sinal de evolução. Porém, hoje apercebi-me que a evolução que eu pensei ser real, não passara de uma mera ilusão, e todo o bem-estar que tenho sentido, nada mais se deve que ao mundo que eu mesma criei achando que era verídico.

Olho para o lado através da janela do carro, e lá estavas tu – senhor e dono do seu nariz - de sorriso na cara sem te aperceberes da minha presença. O coração que disparou, os olhos que se encheram de um brilho já antes visto, a voz que se calou e o corpo que petrificou. Queria poder abrir a janela e acenar-te, queria poder sair do carro e abraçar-te, sentir mais uma vez a tua pele, o teu toque, mas sabia que não era o melhor a ser feito e então recolhi-me no conforto do assento. Já sabia que aquele era o dia que te teria de falar, percebi-o nesse instante. Dei voltas nas ruas tentando acalmar-me e preparar-me para o que eu sabia que iria acontecer. Não deu tempo! Lá estavas tu mesmo a meu lado, de olhos fixos nos meus, deixando-me completamente sem reacção. Queria que o mundo parasse naquele momento exacto para gravar a tua imagem para sempre comigo. Mas o problema da realidade, é que é efémera e momentânea. Que raiva que tenho dela! Senti então uma voz a dirigir-se a mim e percebi que não estávamos sós e foi então que reagi.

Foi então após o reencontro, que ficou mais que provado para mim mesma, que não me eras ainda indiferente – alegria a minha se o fosses tão cedo e errado seria - mas a verdade, é que me marcaste de tantos modos que não se apaga alguém como que se bastasse um click na tecla “delete”. Era tudo tão mais simples se assim fosse.

Amar alguém é conhecer e compreender o outro. Conheci-te, compreendi-te até mais do que julgas, e apostei em ti como se só de ti dependesse a minha felicidade, mas perdi-me no mundo que criaste para ti e esqueci-me de quem eu era. As dúvidas surgiram, os medos aumentaram e só tu não vias isso em mim. Os porquês foram surgindo devagar e a corroer-me por dentro, e foi nesse momento que tentei mais que tudo compreender-te. Mas tu simplesmente não deixaste! Há motivos que não devem ser ditos e parece-me que os teus foram muitos. Uma relação não vive de dúvidas, vive de certezas – e essas nunca as tivemos.

Bem sei que talvez a tua intenção nunca fosse a de me magoar, mas a verdade é que o fizeste imensas vezes. Não te culpo somente a ti por isso, mas a mim mesma, pois também deixei que o fizesses – cega e fascinada com o que me proporcionavas, perdi completamente a visão do que era realmente importante. Como referi atrás, a tua presença na minha vida marcou-me de inúmeras maneiras – e é aqui que contrariamente ao desabafo feito anteriormente eu te mostro que não te considero somente um “adolescente egocêntrico, narcisista e quase que eremita”. Tu fizeste-me ver o quanto é importante amar e ser amada, fizeste-me ver o quanto é importante saber respeitar o silêncio e o tempo dos outros, fizeste crescer em mim sentimentos dos quais não fazia ideia de que possuía, transformaste-me de menina a mulher, fizeste-me sentir especial em muitas ocasiões, partilhaste comigo algumas coisas que não havias mostrado a mais ninguém, fizeste-me perceber a importância do NÃO como resposta a algumas perguntas e acima de tudo o mais importante fizeste-me lutar por quem eu gostei (gosto).

Há dias atrás, um grande amigo meu, disse-me três regras essenciais da vida: lutar por quem se ama, ter coragem para desistir de quem se ama e saber distinguir a primeira regra da segunda. E ora que o problema morou em eu não ter tido a coragem para ter desistido de ti enquanto devia e agora tudo se torna muito mais difícil. Cada dia que passa é mais um dia de saudade, de desejo de voltar a ter-te perto de mim e não penses que será do dia para a noite, de uma semana para a outra ou de um mês para o outro que te irei esquecer. Se pensas assim, desengana-te! Palavras arrogantes? Palavras frias? O silêncio mórbido nas respostas? Ignorar-me tantas e tantas vezes como já o fizeste há tempos? Nem estas atitudes nem outras semelhantes irão ajudar a que o caminho do esquecimento se torne mais curto e menos penoso. Há dias disseste-me que agias assim, para que mais fácil fosse eu esquecer-te e seguir em frente, mas sabes bem e sempre soubeste que isso de nada vale para quem gosta ao ponto que eu gosto. Amar em demasia a pessoa que não nos ama é perigoso, mas quem disse que no amor o perigo não deve existir?

O tempo irá sarar as feridas que deixaste e as marcas que fizeste e então um novo recomeço irá surgir. Até lá, manter-te como amigo é uma das provas de que tudo o que passei contigo - desde as tardes de cinema às noites de cinema, as quais se mantinham no desejo de possuíres o corpo que tanto querias – valeu a pena e foi importante. Cabe-te a ti decidires agora se tencionas manter-me como tal ou se vais simplesmente esquecer tudo e fingir que nada se passou – mas cobardia e falta de frontalidade, são defeitos que não tens – e por isso acredito que no meio de uma história complicada, o final será mais agradável.

E lembra-te que todo o primeiro desabafo, foi construtivo e nunca destrutivo! Quando o escrevi, sabia que irias ler, pois a curiosidade sempre foi uma das tuas características mais presente. Assim, espero sinceramente que penses um pouco sobre tudo o que aqui escrevi e que sirva também para veres que é valorizando os outros que somos valorizados. É saber agradecer a quem nos ajuda, que seremos novamente ajudados, e é saber acima de tudo amar quem nos ama, mesmo que não do mesmo modo, mas de um modo saudável e não corrosivo, para que futuramente possas ser amar e ser amado!

quarta-feira, 24 de março de 2010

Aprendemos com os erros ...

Poderia fazer um livro destes oito meses. Quem sabe no fim de todo o meu desabafo, isto até não se torne mesmo um livro…mas por agora serão apenas uns rascunhos de um amor que nunca foi amor. Bem sei que estes manuscritos não servirão de nada a não ser para meu próprio benefício e é por isso que hoje escrevo – não por ti, não pensando que mudará o rumo das coisas, mas por mim! Já percorri um longo caminho a tentar achar mil e uma maneiras de te esquecer, de seguir em frente, virar mais uma página na minha vida, de tantas outras que já se fecharam. Estes oito meses foram passados assim, numa luta constante pela minha felicidade, que hoje sei que não é a teu lado, mas sim longe de ti. Pode parecer estranho estar a escrever como se para ti falasse, mas sinto-me melhor pensando que um dia irás ler tudo o que aqui redigo, pois irás ver a cada texto, o quanto foste importante para mim, não só em aspectos positivos como também em negativos.

Pensava eu, com uma certeza inexplicável, que serias o homem ideal para mim. Desde o primeiro momento que sempre acreditei que a minha felicidade estaria junto a alguém…e é certo que sim, mas nunca acreditei que a minha felicidade fosse “esse alguém”. Hoje, é uma certeza verdadeira, uma certeza provada, de que esse alguém eras tu. A minha felicidade – julgava-o eu, ingénua sonhadora, encontrava-se em ti. Há tempos disseram-me que essa não estava em ti, mas sim em mim mesma, e que se tu realmente me amasses, terias o dom de me fazer descobri-la. Infelizmente, revelaste-te incapaz de o fazer. Sempre foste bastante egoísta, apenas tu e só tu importa. Fechaste as portas aqueles que se aproximam mais do que o que consideras ser seguro para ti.

Um adolescente egocêntrico, narcisista, e quase que me atrevo a dizer eremita. És um ser ambíguo e contraditório em tudo o que fazes. Ora gostas de ser o centro das atenções, achando que não és indiferente a ninguém e que a tua presença é crucial na vida de certas pessoas, ora isolaste no teu pequeno mundo, criado apenas para aqueles que têm a coragem e a destreza de entrar dentro dele. Habituaste-te desde cedo à tua própria presença, pois foste obrigado a isso. Talvez sejas assim - dotado de uma racionalidade possessiva, que te corrói por dentro e se apodera de ti para todas as tuas decisões - face a esse crescimento forçado, que tão depressa te tornou homem. Subentenda-se aqui a palavra “homem”. Homem apenas no sentido figurativo, alguém forçado a agir como tal, com responsabilidades de adulto, contas para pagar e trabalho para procurar. No entanto, um “homem” não se torna homem e não é entendido como tal, se não possuir algumas características que a ti te falham.

Eu atrevi-me a entrar nesse teu pequeno mundo, e entrei com um sorriso radiante, e certa do que estava a fazer, sem qualquer armadura de defesa. Pois foi aí mesmo que falhei, ou quiçá tenhas sido tu a falhar que não me mostraste a cores vivas de que matéria-prima eras feito. Assim, com os dois pés assentes, atirei-me de cabeça sem qualquer defesa comigo – era a inocência a fazer-se sentir - como uma vez mo disseste. Foram vezes e vezes ao longo desses meses, que isso aconteceu, e lá voltava eu a cair nos teus braços e amarrada à palma da tua mão. Mas é isso mesmo aquilo que nós chamamos de amor, ainda que seja um amor como o teu, egoísta e ambíguo, que satisfaz os seus desejos num corpo que deseja possuir. Apercebo-me agora, de que o amor sincero e verdadeiro que existia provinha apenas de mim e de mais ninguém. No fundo sempre o soube, mas ceguei para a realidade daquilo que eu não queria que fosse verdade. Pensava ser a única forma de não vir a sofrer. Enganei-me! O sofrimento começou a existir quando me apercebi que o homem que dormia noites a meu lado, não era o mesmo homem que sonhei um dia ter junto a mim. A insegurança constante naquela espécie de relação que nem relação era, os sentimentos sempre na corda bamba, fizeram-me sofrer cada vez mais. Relembro ainda com tristeza e um certo sentimento de raiva, aqueles dois meses horríveis pelos quais passei quando decidiste pôr um fim a algo que mal tinha começado. Chorei, gritei, criei um sentimento de ódio e rancor por ti que nunca havia sentido por alguém. Entrei depois num estado apático em que eu não vivia, limitei-me à existência da vida. As pessoas falavam para mim e eu como que um robô, movida apenas pelos reflexos das palavras, respondia automaticamente, sem muito pensar. Ouvi conselhos, ouvi-me a mim mesma, e àquilo que chamo de razão, para que não voltasse de novo a cair no erro. Mas se pensei um dia que era dotada de força interior que me valesse de muito nestas ocasiões, equívoco meu! Pois dois meses passaram, e assim que novamente te apeteceu voltar a ver-me, eu disse sim. Lá estavas tu, á porta da minha casa, á espera que descesse para um recomeço e de pernas a tremer e coração a saltar pela boca lá fui eu, receosa é verdade, mas com uma felicidade enorme estampada no rosto. Foi nesse momento que toda a luta que fiz para te esquecer foi em vão. Queria lá eu saber das lágrimas por que me fizeste chorar, das palavras frias que me disseste, do quanto me magoaste, o que importava eras estares ali, pronto a tentar de novo.

Confesso que se tivesse a capacidade para te apagar completamente da minha memória, não o faria, embora um dia to tivesse dito com convicção que sim. Pode parecer imaturo, ou ate mesmo estupidez, continuar a querer lembrar-te, mas aprendi que devo relembrar sempre o que merece ser lembrado, e arrumar em gavetas fechadas a cadeado, todos os momentos de puro sofrimento que me fizeste passar, para que um dia, possa de novo reutilizá-los como uma lição de vida e fazer deles a armadura que me faltou quando te conheci. Estou ainda a aprender a fazê-lo, um dia de cada vez, com muito esforço, tentando arrumar nessas gavetas cada pedaço mau que passei contigo ou por ti.

Acho que nunca to disse, mas fizeste de mim a mulher que hoje sou. Passei de criança a adolescente e contigo me tornei verdadeira mulher. Mostraste-me que a felicidade existe e é possível, ao lado de alguém, mesmo quando não és tu esse alguém. Mostraste-me também que o amor é bastante traiçoeiro e que só existe quando é partilhado a dois. Tu gostaste de mim, é um facto, mas como tu próprio dizias, era somente um “bocadinho”, nada comparado àquilo que eu por ti sentia (e sinto). Tatuei o teu nome no meu coração há tempos atrás na convicção de que serias meu para sempre, espanto o meu quando olhei para ti e me dizias que já não querias mais. No fundo querias, mas achavas que não era o mais correcto, que eu merecia mais que o que tu me davas. Sim, merecia e mereço, eu mesma to cheguei a dizer, mas o que interessa isso quando se gosta realmente de alguém? Não se olha para nós, olha-se para o outro e tu nunca soubeste olhar para mim.

E neste momento, apesar de te querer bem, por tudo o que me proporcionaste, penso que mereces pouco, porque acredito que merecemos na medida daquilo que damos aos outros, e tu... não és bom a dar!