terça-feira, 25 de maio de 2010

Felicidade e afins *.*


Erros? Todos erramos. Arrependimentos? Todos temos. Orgulho? Porque não? Vivemos em conformidade com este e aquele, connosco e com os outros, pensamos demais. Pensamentos contrafactuais só atrapalham! És menino de pensar sobre o que poderia ter sido e não foi, sobre os vários “e se” ‘s que surgem. Os porquês que dizes saber guardas para ti, e no silêncio das palavras te escondes. Começa a agir sem medos nem receios, sem porquês ou razões. Age porque assim o queres!

Sentada de pernas cruzadas sobre o edredon que embrulha a cama, aguardo por uma resposta no silêncio do quarto. E lá está ela. Chega de mansinho a bom tom, envolta em palavras carinhosas – sentidas ou não – com uma pitada de atrevimento pelo meio e um toque de suavidade que a torna tão leve de ler . Sorri . Pensei duas vezes. Para quê pensar? Pensamentos contrafactuais só atrapalham! Foi então que rapidamente agi, no impulso do momento - palavras espontâneas, frases já pensadas - marcaram o fim da conversa, dando espaço para o acto em si.

Erros? Todos erramos. Arrependimentos? Todos temos. Orgulho? Porque não? Assim, tudo aconteceu e nada se perdeu. Era o mundo de novo a meus pés e eu feliz assim. Que importa o futuro ou o passado, quando os verbos devem ser conjugados no presente? É nele que vives, que respiras, que sentes, fazes e aconteces. Assim seja! Fez-se e aconteceu. Era o mundo de novos a meus pés.

Felicidade. Termo técnico para exprimir o sorriso esboçado no momento em si. E quem diz que não sou feliz assim? Ambição nunca me faltou, mas tudo a seu tempo e um passo de cada vez - não vá o pé tropeçar na pedra. Não penses que te cabe a ti decidir o melhor caminho para mim, pois só eu terei a capacidade para escolher e decidir por onde vaguear. Cabe te apenas a decisão inicial: Queres mesmo que assim seja? Queres mesmo que te esqueça? A resposta é redundante – como a maioria das que me dás, com medo do que eu possa pensar. Volto a dizer, Pensamentos contrafactuais só atrapalham! Faz o que fazes, não porque achas que deva ser assim, mas porque queres que assim seja. Faz o que fazes, não porque te pedem, mas pelo que sentes. Felicidade. Palavra ou expressão usada para definir o êxtase vivido no momento da loucura – os desejos penetrantes, sentidos a corpos nus, perdidos no meio de gemidos e prazeres.

Era o mundo de novo a meus pés e eu feliz assim.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Julgamentos absurdos!

Existem pessoas que apenas cá andam para julgar os outros, existem aquelas que em vez de julgar compreendem e, existem ainda outras que compreendem julgando! Pois confesso, que estou farta das primeiras, pois com as terceiras posso eu bem e com as segundas partilho as minhas vivências. Quem se julgam essas pessoas que sem nos conhecer, já fazem juízos de valor? Pensarão elas que são donas e senhoras do mundo e dos outros? Se assim for, desenganem-se! Ideia absurda essa.

Observo com atenção cada detalhe, cada olhar, a expressão inquieta no seu rosto, o contorno dos seus lábios e o franzir da sua testa quando está prestes a dizer, mais uma vez, algo sem sentido. Apercebo-me então que aquela amizade estupenda que pensara eu ser verdadeira, deu lugar – há já algum tempo – ao puro cinismo! Sim, é esta a designação mais adequada para tal pessoa. Com o passar dos dias, olho-me ao espelho, revivo aqueles momentos e vejo que não sou mulher, menina e moça de meias palavras! Sou muito “eu” e nada dos outros e assim sendo, parto p’ra cima sem pensar duas vezes – pois a mim, não me tomam por parva!

Falsidade rotineira enerva-me e não é pouco – e a ela é o que não lhe falta. Talvez um pingo de maturidade e sinceridade viessem a calhar, naquele seu feitio de menina mimada. Há bem pouco tempo atrás, fez-me lembrar dele – estas suas fases constantes de mudanças de humor! Parece que afinal não é só ele que possui esta característica – característica essa, que não sou de aprovar – mas aceito-a nele e só nele, em mais ninguém. Já me basta lidar com uma pessoa assim, não tenciono arranjar “mais sarna para me coçar”! Assim sendo, reprovo tamanhas atitudes nela – quiçá um dia mais tarde, quando for possuidora de maior maturidade, talvez eu pondere dirigir-lhe a palavra.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Porque de loucos, todos temos um pouco!


Quero gritar, mas o som não sai! Quero falar e rir, viver e sentir, mas o corpo não reage aquilo que chamamos de vontade. Há quem diga que a vontade é mais forte do que qualquer desejo, que é ela que nos guia pelo caminho mais correcto - digo-o eu, que o desejo sobrepõe-se à vontade, ou quiçá funcione juntamente com ela.

Os meus desejos nunca andaram de mãos dadas com a vontade. Sei-o agora mais que nunca! A vontade sempre foi uma só, e até hoje a é – não direi aqui por meras palavras a que vontade me refiro, pois nem todos devem ser portadores dessa informação – acho que nem mesmo tu devas saber. O ponto da questão aqui, é perceber o porquê de eu seguir os meus desejos e nunca a minha vontade. Essa é uma pergunta para a qual ainda não achei resposta – e como tal, prefiro chamar-lhe de loucura! Sim, loucura – porque afinal de loucos todos temos um pouco. É essa loucura, que me mantém sã. Parece estranho pensar que tal situação seja verídica, porém, maior verdade que esta não me parece haver. Corre-me nas veias a adrenalina da loucura, o desejo de viver com intensidade e fervor, e és tu que provocas esta explosão em mim. A minha sanidade – essa sim – anda de mãos e braços dados com o meu desatino. Vivo assim agora a minha vida, para não me tornar mais louca que aquilo que já sou.

E para bom entendedor estas palavras bastam.

sexta-feira, 26 de março de 2010

A outra face da história...

Havia decidido que o certo era deixar passar um tempo até este segundo desabafo, mas acho que este é o momento para o fazer. Tinha prometido a mim mesma não referir aqui o que ainda sinto, e focar-me somente no que já senti, pois os meus sentimentos de agora já não interessam mais. No entanto, há alguns aspectos que deves saber - sobre mim, ti ou nós (se é que algum dia consideraste haver um “nós”) que considero cruciais para que percebas bem o texto anterior.

Ainda sinto o coração a pulsar cada vez mais forte, quando os meus olhos se cruzam com os teus! Já diz a célebre frase: “O que os olhos não vêem o coração não sente”. É assim que tem de ser por agora – distância de ti e sentimentos à parte. Embora o meu desejo mais profundo, não seja esse, tenho feito mais do que imaginas para fazer jus a esta frase. Passo por cima de vontades, de desejos, de sentimentos, para que não corra o risco de me cruzar contigo novamente. A verdade é que tem resultado, tenho estado bem comigo mesma e é isso que verdadeiramente importa agora. Já me importei demasiado contigo, quando tu, e sabes bem disso, fizeste-o por metade. E lá estava eu, após dias de luta constante pelo meu bem-estar, mais do que convencida que já me estavas a ser indiferente, e isso, é sinal de evolução. Porém, hoje apercebi-me que a evolução que eu pensei ser real, não passara de uma mera ilusão, e todo o bem-estar que tenho sentido, nada mais se deve que ao mundo que eu mesma criei achando que era verídico.

Olho para o lado através da janela do carro, e lá estavas tu – senhor e dono do seu nariz - de sorriso na cara sem te aperceberes da minha presença. O coração que disparou, os olhos que se encheram de um brilho já antes visto, a voz que se calou e o corpo que petrificou. Queria poder abrir a janela e acenar-te, queria poder sair do carro e abraçar-te, sentir mais uma vez a tua pele, o teu toque, mas sabia que não era o melhor a ser feito e então recolhi-me no conforto do assento. Já sabia que aquele era o dia que te teria de falar, percebi-o nesse instante. Dei voltas nas ruas tentando acalmar-me e preparar-me para o que eu sabia que iria acontecer. Não deu tempo! Lá estavas tu mesmo a meu lado, de olhos fixos nos meus, deixando-me completamente sem reacção. Queria que o mundo parasse naquele momento exacto para gravar a tua imagem para sempre comigo. Mas o problema da realidade, é que é efémera e momentânea. Que raiva que tenho dela! Senti então uma voz a dirigir-se a mim e percebi que não estávamos sós e foi então que reagi.

Foi então após o reencontro, que ficou mais que provado para mim mesma, que não me eras ainda indiferente – alegria a minha se o fosses tão cedo e errado seria - mas a verdade, é que me marcaste de tantos modos que não se apaga alguém como que se bastasse um click na tecla “delete”. Era tudo tão mais simples se assim fosse.

Amar alguém é conhecer e compreender o outro. Conheci-te, compreendi-te até mais do que julgas, e apostei em ti como se só de ti dependesse a minha felicidade, mas perdi-me no mundo que criaste para ti e esqueci-me de quem eu era. As dúvidas surgiram, os medos aumentaram e só tu não vias isso em mim. Os porquês foram surgindo devagar e a corroer-me por dentro, e foi nesse momento que tentei mais que tudo compreender-te. Mas tu simplesmente não deixaste! Há motivos que não devem ser ditos e parece-me que os teus foram muitos. Uma relação não vive de dúvidas, vive de certezas – e essas nunca as tivemos.

Bem sei que talvez a tua intenção nunca fosse a de me magoar, mas a verdade é que o fizeste imensas vezes. Não te culpo somente a ti por isso, mas a mim mesma, pois também deixei que o fizesses – cega e fascinada com o que me proporcionavas, perdi completamente a visão do que era realmente importante. Como referi atrás, a tua presença na minha vida marcou-me de inúmeras maneiras – e é aqui que contrariamente ao desabafo feito anteriormente eu te mostro que não te considero somente um “adolescente egocêntrico, narcisista e quase que eremita”. Tu fizeste-me ver o quanto é importante amar e ser amada, fizeste-me ver o quanto é importante saber respeitar o silêncio e o tempo dos outros, fizeste crescer em mim sentimentos dos quais não fazia ideia de que possuía, transformaste-me de menina a mulher, fizeste-me sentir especial em muitas ocasiões, partilhaste comigo algumas coisas que não havias mostrado a mais ninguém, fizeste-me perceber a importância do NÃO como resposta a algumas perguntas e acima de tudo o mais importante fizeste-me lutar por quem eu gostei (gosto).

Há dias atrás, um grande amigo meu, disse-me três regras essenciais da vida: lutar por quem se ama, ter coragem para desistir de quem se ama e saber distinguir a primeira regra da segunda. E ora que o problema morou em eu não ter tido a coragem para ter desistido de ti enquanto devia e agora tudo se torna muito mais difícil. Cada dia que passa é mais um dia de saudade, de desejo de voltar a ter-te perto de mim e não penses que será do dia para a noite, de uma semana para a outra ou de um mês para o outro que te irei esquecer. Se pensas assim, desengana-te! Palavras arrogantes? Palavras frias? O silêncio mórbido nas respostas? Ignorar-me tantas e tantas vezes como já o fizeste há tempos? Nem estas atitudes nem outras semelhantes irão ajudar a que o caminho do esquecimento se torne mais curto e menos penoso. Há dias disseste-me que agias assim, para que mais fácil fosse eu esquecer-te e seguir em frente, mas sabes bem e sempre soubeste que isso de nada vale para quem gosta ao ponto que eu gosto. Amar em demasia a pessoa que não nos ama é perigoso, mas quem disse que no amor o perigo não deve existir?

O tempo irá sarar as feridas que deixaste e as marcas que fizeste e então um novo recomeço irá surgir. Até lá, manter-te como amigo é uma das provas de que tudo o que passei contigo - desde as tardes de cinema às noites de cinema, as quais se mantinham no desejo de possuíres o corpo que tanto querias – valeu a pena e foi importante. Cabe-te a ti decidires agora se tencionas manter-me como tal ou se vais simplesmente esquecer tudo e fingir que nada se passou – mas cobardia e falta de frontalidade, são defeitos que não tens – e por isso acredito que no meio de uma história complicada, o final será mais agradável.

E lembra-te que todo o primeiro desabafo, foi construtivo e nunca destrutivo! Quando o escrevi, sabia que irias ler, pois a curiosidade sempre foi uma das tuas características mais presente. Assim, espero sinceramente que penses um pouco sobre tudo o que aqui escrevi e que sirva também para veres que é valorizando os outros que somos valorizados. É saber agradecer a quem nos ajuda, que seremos novamente ajudados, e é saber acima de tudo amar quem nos ama, mesmo que não do mesmo modo, mas de um modo saudável e não corrosivo, para que futuramente possas ser amar e ser amado!

quarta-feira, 24 de março de 2010

Aprendemos com os erros ...

Poderia fazer um livro destes oito meses. Quem sabe no fim de todo o meu desabafo, isto até não se torne mesmo um livro…mas por agora serão apenas uns rascunhos de um amor que nunca foi amor. Bem sei que estes manuscritos não servirão de nada a não ser para meu próprio benefício e é por isso que hoje escrevo – não por ti, não pensando que mudará o rumo das coisas, mas por mim! Já percorri um longo caminho a tentar achar mil e uma maneiras de te esquecer, de seguir em frente, virar mais uma página na minha vida, de tantas outras que já se fecharam. Estes oito meses foram passados assim, numa luta constante pela minha felicidade, que hoje sei que não é a teu lado, mas sim longe de ti. Pode parecer estranho estar a escrever como se para ti falasse, mas sinto-me melhor pensando que um dia irás ler tudo o que aqui redigo, pois irás ver a cada texto, o quanto foste importante para mim, não só em aspectos positivos como também em negativos.

Pensava eu, com uma certeza inexplicável, que serias o homem ideal para mim. Desde o primeiro momento que sempre acreditei que a minha felicidade estaria junto a alguém…e é certo que sim, mas nunca acreditei que a minha felicidade fosse “esse alguém”. Hoje, é uma certeza verdadeira, uma certeza provada, de que esse alguém eras tu. A minha felicidade – julgava-o eu, ingénua sonhadora, encontrava-se em ti. Há tempos disseram-me que essa não estava em ti, mas sim em mim mesma, e que se tu realmente me amasses, terias o dom de me fazer descobri-la. Infelizmente, revelaste-te incapaz de o fazer. Sempre foste bastante egoísta, apenas tu e só tu importa. Fechaste as portas aqueles que se aproximam mais do que o que consideras ser seguro para ti.

Um adolescente egocêntrico, narcisista, e quase que me atrevo a dizer eremita. És um ser ambíguo e contraditório em tudo o que fazes. Ora gostas de ser o centro das atenções, achando que não és indiferente a ninguém e que a tua presença é crucial na vida de certas pessoas, ora isolaste no teu pequeno mundo, criado apenas para aqueles que têm a coragem e a destreza de entrar dentro dele. Habituaste-te desde cedo à tua própria presença, pois foste obrigado a isso. Talvez sejas assim - dotado de uma racionalidade possessiva, que te corrói por dentro e se apodera de ti para todas as tuas decisões - face a esse crescimento forçado, que tão depressa te tornou homem. Subentenda-se aqui a palavra “homem”. Homem apenas no sentido figurativo, alguém forçado a agir como tal, com responsabilidades de adulto, contas para pagar e trabalho para procurar. No entanto, um “homem” não se torna homem e não é entendido como tal, se não possuir algumas características que a ti te falham.

Eu atrevi-me a entrar nesse teu pequeno mundo, e entrei com um sorriso radiante, e certa do que estava a fazer, sem qualquer armadura de defesa. Pois foi aí mesmo que falhei, ou quiçá tenhas sido tu a falhar que não me mostraste a cores vivas de que matéria-prima eras feito. Assim, com os dois pés assentes, atirei-me de cabeça sem qualquer defesa comigo – era a inocência a fazer-se sentir - como uma vez mo disseste. Foram vezes e vezes ao longo desses meses, que isso aconteceu, e lá voltava eu a cair nos teus braços e amarrada à palma da tua mão. Mas é isso mesmo aquilo que nós chamamos de amor, ainda que seja um amor como o teu, egoísta e ambíguo, que satisfaz os seus desejos num corpo que deseja possuir. Apercebo-me agora, de que o amor sincero e verdadeiro que existia provinha apenas de mim e de mais ninguém. No fundo sempre o soube, mas ceguei para a realidade daquilo que eu não queria que fosse verdade. Pensava ser a única forma de não vir a sofrer. Enganei-me! O sofrimento começou a existir quando me apercebi que o homem que dormia noites a meu lado, não era o mesmo homem que sonhei um dia ter junto a mim. A insegurança constante naquela espécie de relação que nem relação era, os sentimentos sempre na corda bamba, fizeram-me sofrer cada vez mais. Relembro ainda com tristeza e um certo sentimento de raiva, aqueles dois meses horríveis pelos quais passei quando decidiste pôr um fim a algo que mal tinha começado. Chorei, gritei, criei um sentimento de ódio e rancor por ti que nunca havia sentido por alguém. Entrei depois num estado apático em que eu não vivia, limitei-me à existência da vida. As pessoas falavam para mim e eu como que um robô, movida apenas pelos reflexos das palavras, respondia automaticamente, sem muito pensar. Ouvi conselhos, ouvi-me a mim mesma, e àquilo que chamo de razão, para que não voltasse de novo a cair no erro. Mas se pensei um dia que era dotada de força interior que me valesse de muito nestas ocasiões, equívoco meu! Pois dois meses passaram, e assim que novamente te apeteceu voltar a ver-me, eu disse sim. Lá estavas tu, á porta da minha casa, á espera que descesse para um recomeço e de pernas a tremer e coração a saltar pela boca lá fui eu, receosa é verdade, mas com uma felicidade enorme estampada no rosto. Foi nesse momento que toda a luta que fiz para te esquecer foi em vão. Queria lá eu saber das lágrimas por que me fizeste chorar, das palavras frias que me disseste, do quanto me magoaste, o que importava eras estares ali, pronto a tentar de novo.

Confesso que se tivesse a capacidade para te apagar completamente da minha memória, não o faria, embora um dia to tivesse dito com convicção que sim. Pode parecer imaturo, ou ate mesmo estupidez, continuar a querer lembrar-te, mas aprendi que devo relembrar sempre o que merece ser lembrado, e arrumar em gavetas fechadas a cadeado, todos os momentos de puro sofrimento que me fizeste passar, para que um dia, possa de novo reutilizá-los como uma lição de vida e fazer deles a armadura que me faltou quando te conheci. Estou ainda a aprender a fazê-lo, um dia de cada vez, com muito esforço, tentando arrumar nessas gavetas cada pedaço mau que passei contigo ou por ti.

Acho que nunca to disse, mas fizeste de mim a mulher que hoje sou. Passei de criança a adolescente e contigo me tornei verdadeira mulher. Mostraste-me que a felicidade existe e é possível, ao lado de alguém, mesmo quando não és tu esse alguém. Mostraste-me também que o amor é bastante traiçoeiro e que só existe quando é partilhado a dois. Tu gostaste de mim, é um facto, mas como tu próprio dizias, era somente um “bocadinho”, nada comparado àquilo que eu por ti sentia (e sinto). Tatuei o teu nome no meu coração há tempos atrás na convicção de que serias meu para sempre, espanto o meu quando olhei para ti e me dizias que já não querias mais. No fundo querias, mas achavas que não era o mais correcto, que eu merecia mais que o que tu me davas. Sim, merecia e mereço, eu mesma to cheguei a dizer, mas o que interessa isso quando se gosta realmente de alguém? Não se olha para nós, olha-se para o outro e tu nunca soubeste olhar para mim.

E neste momento, apesar de te querer bem, por tudo o que me proporcionaste, penso que mereces pouco, porque acredito que merecemos na medida daquilo que damos aos outros, e tu... não és bom a dar!