Poderia fazer um livro destes oito meses. Quem sabe no fim de todo o meu desabafo, isto até não se torne mesmo um livro…mas por agora serão apenas uns rascunhos de um amor que nunca foi amor. Bem sei que estes manuscritos não servirão de nada a não ser para meu próprio benefício e é por isso que hoje escrevo – não por ti, não pensando que mudará o rumo das coisas, mas por mim! Já percorri um longo caminho a tentar achar mil e uma maneiras de te esquecer, de seguir em frente, virar mais uma página na minha vida, de tantas outras que já se fecharam. Estes oito meses foram passados assim, numa luta constante pela minha felicidade, que hoje sei que não é a teu lado, mas sim longe de ti. Pode parecer estranho estar a escrever como se para ti falasse, mas sinto-me melhor pensando que um dia irás ler tudo o que aqui redigo, pois irás ver a cada texto, o quanto foste importante para mim, não só em aspectos positivos como também em negativos.
Pensava eu, com uma certeza inexplicável, que serias o homem ideal para mim. Desde o primeiro momento que sempre acreditei que a minha felicidade estaria junto a alguém…e é certo que sim, mas nunca acreditei que a minha felicidade fosse “esse alguém”. Hoje, é uma certeza verdadeira, uma certeza provada, de que esse alguém eras tu. A minha felicidade – julgava-o eu, ingénua sonhadora, encontrava-se em ti. Há tempos disseram-me que essa não estava em ti, mas sim em mim mesma, e que se tu realmente me amasses, terias o dom de me fazer descobri-la. Infelizmente, revelaste-te incapaz de o fazer. Sempre foste bastante egoísta, apenas tu e só tu importa. Fechaste as portas aqueles que se aproximam mais do que o que consideras ser seguro para ti.
Um adolescente egocêntrico, narcisista, e quase que me atrevo a dizer eremita. És um ser ambíguo e contraditório em tudo o que fazes. Ora gostas de ser o centro das atenções, achando que não és indiferente a ninguém e que a tua presença é crucial na vida de certas pessoas, ora isolaste no teu pequeno mundo, criado apenas para aqueles que têm a coragem e a destreza de entrar dentro dele. Habituaste-te desde cedo à tua própria presença, pois foste obrigado a isso. Talvez sejas assim - dotado de uma racionalidade possessiva, que te corrói por dentro e se apodera de ti para todas as tuas decisões - face a esse crescimento forçado, que tão depressa te tornou homem. Subentenda-se aqui a palavra “homem”. Homem apenas no sentido figurativo, alguém forçado a agir como tal, com responsabilidades de adulto, contas para pagar e trabalho para procurar. No entanto, um “homem” não se torna homem e não é entendido como tal, se não possuir algumas características que a ti te falham.
Eu atrevi-me a entrar nesse teu pequeno mundo, e entrei com um sorriso radiante, e certa do que estava a fazer, sem qualquer armadura de defesa. Pois foi aí mesmo que falhei, ou quiçá tenhas sido tu a falhar que não me mostraste a cores vivas de que matéria-prima eras feito. Assim, com os dois pés assentes, atirei-me de cabeça sem qualquer defesa comigo – era a inocência a fazer-se sentir - como uma vez mo disseste. Foram vezes e vezes ao longo desses meses, que isso aconteceu, e lá voltava eu a cair nos teus braços e amarrada à palma da tua mão. Mas é isso mesmo aquilo que nós chamamos de amor, ainda que seja um amor como o teu, egoísta e ambíguo, que satisfaz os seus desejos num corpo que deseja possuir. Apercebo-me agora, de que o amor sincero e verdadeiro que existia provinha apenas de mim e de mais ninguém. No fundo sempre o soube, mas ceguei para a realidade daquilo que eu não queria que fosse verdade. Pensava ser a única forma de não vir a sofrer. Enganei-me! O sofrimento começou a existir quando me apercebi que o homem que dormia noites a meu lado, não era o mesmo homem que sonhei um dia ter junto a mim. A insegurança constante naquela espécie de relação que nem relação era, os sentimentos sempre na corda bamba, fizeram-me sofrer cada vez mais. Relembro ainda com tristeza e um certo sentimento de raiva, aqueles dois meses horríveis pelos quais passei quando decidiste pôr um fim a algo que mal tinha começado. Chorei, gritei, criei um sentimento de ódio e rancor por ti que nunca havia sentido por alguém. Entrei depois num estado apático em que eu não vivia, limitei-me à existência da vida. As pessoas falavam para mim e eu como que um robô, movida apenas pelos reflexos das palavras, respondia automaticamente, sem muito pensar. Ouvi conselhos, ouvi-me a mim mesma, e àquilo que chamo de razão, para que não voltasse de novo a cair no erro. Mas se pensei um dia que era dotada de força interior que me valesse de muito nestas ocasiões, equívoco meu! Pois dois meses passaram, e assim que novamente te apeteceu voltar a ver-me, eu disse sim. Lá estavas tu, á porta da minha casa, á espera que descesse para um recomeço e de pernas a tremer e coração a saltar pela boca lá fui eu, receosa é verdade, mas com uma felicidade enorme estampada no rosto. Foi nesse momento que toda a luta que fiz para te esquecer foi em vão. Queria lá eu saber das lágrimas por que me fizeste chorar, das palavras frias que me disseste, do quanto me magoaste, o que importava eras estares ali, pronto a tentar de novo.
Confesso que se tivesse a capacidade para te apagar completamente da minha memória, não o faria, embora um dia to tivesse dito com convicção que sim. Pode parecer imaturo, ou ate mesmo estupidez, continuar a querer lembrar-te, mas aprendi que devo relembrar sempre o que merece ser lembrado, e arrumar em gavetas fechadas a cadeado, todos os momentos de puro sofrimento que me fizeste passar, para que um dia, possa de novo reutilizá-los como uma lição de vida e fazer deles a armadura que me faltou quando te conheci. Estou ainda a aprender a fazê-lo, um dia de cada vez, com muito esforço, tentando arrumar nessas gavetas cada pedaço mau que passei contigo ou por ti.
Acho que nunca to disse, mas fizeste de mim a mulher que hoje sou. Passei de criança a adolescente e contigo me tornei verdadeira mulher. Mostraste-me que a felicidade existe e é possível, ao lado de alguém, mesmo quando não és tu esse alguém. Mostraste-me também que o amor é bastante traiçoeiro e que só existe quando é partilhado a dois. Tu gostaste de mim, é um facto, mas como tu próprio dizias, era somente um “bocadinho”, nada comparado àquilo que eu por ti sentia (e sinto). Tatuei o teu nome no meu coração há tempos atrás na convicção de que serias meu para sempre, espanto o meu quando olhei para ti e me dizias que já não querias mais. No fundo querias, mas achavas que não era o mais correcto, que eu merecia mais que o que tu me davas. Sim, merecia e mereço, eu mesma to cheguei a dizer, mas o que interessa isso quando se gosta realmente de alguém? Não se olha para nós, olha-se para o outro e tu nunca soubeste olhar para mim.
E neste momento, apesar de te querer bem, por tudo o que me proporcionaste, penso que mereces pouco, porque acredito que merecemos na medida daquilo que damos aos outros, e tu... não és bom a dar!
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( suspiro )
ResponderEliminarE's bonita , mia mãe :$
BRUTALISSIMO... Está excelente menina Neuza... é assim mesmo, cabeça erguida e bola para a frente... homens à muitos e tu sabes bem disso ;)
ResponderEliminarTu ainda o amas , doida serias se não o admitisses .
ResponderEliminarMas quero que te ames a ti , tambe'm (: Senta - te . Pestaneja e respira fundo - e's mais forte do que pensas , N ! E repara : quem caiu no abismo foi o « vosso » amor e não tu .
ai miga, no meio de tantas palavras nem sei o que dizer.
ResponderEliminarBem tu sabes a minha opinião e sabes que estarei sempre do teu lado!
continua a escrever, quero ver o desfecho disto :P
SÊ GIGANTE *.* , formiga .
ResponderEliminarPorra então não faças textos mais pequenos... lol, tou a brincar tu já sabes a minha opinião por tanto continua com o blog mas... com textos mais pequenos ok??? jinhox****
ResponderEliminarahahaah xD eu faria os mais pequenos, oxalá pudessem ser =) o tamanho deste e dos proximos só prova o quanto ha para dizer sobre algo que nao devia ter a importância k deposito.
ResponderEliminarO resto fica po proximo capitulo xD e tenho dito.
Sem palavras...
ResponderEliminarFico feliz por deitares isso tudo cá para fora, sinal de evolução
Bjinho *
O texto ta exelente, apesar d tudo o q transparece, parabens Neuza.
ResponderEliminar*
Estou sem palavras miúda, está aqui um excelente meio de "deitar todo cá para fora".
ResponderEliminarO texto está muito bom grande mas fácil de ler e interessante, é bom saber que és das poucas pessoas que aceita a dor como um ensinamento, e por muito que custe, é ai que esta o caminho para a sabedoria.
bjotos Neuza *
Bonito texto sim senhora ... Não tenho muito mais a dizer acerca desse enorme e explicito desabafo. Apenas que antes de entrarmos em "certos mundos" ou mesmo depois de lá estarmos dentro, há coisas que temos de esclarecer, independentemente de ser no amor, no trabalho, na vida; coisas essas que por vezes só não estão esclarecidas na nossa cabeça, o que por vezes nos leva a tirar conclusões erradas de coisas que nos parecem tão óbvias, que na sua essência nada têm a ver com o que pensamos.
ResponderEliminarAcho que desabafar faz bem a toda a gente e só não o faz quem é tolo, mas desabafar e apontar o dedo é fácil, compreender e entender o porque de certas atitudes é que por vezes é mais complicado. Sublinho também que existem atitudes tomadas pelas pessoas que serão quase incompreensíveis, no entanto todas elas têm o seu porquê, esse porquê pode é nunca ser revelado ...
De qualquer forma os meus parabéns pelo texto, está bastante expressivo mas não te esqueças "ainda bem que o mundo não vive de opiniões"
Um beijo .
Parabéns Neuza! O teu texto está simplesmente "brutal"! Abriste o teu coração... através da escrita podemos transmitir muitas coisas... coisas essas, que por vezes, nem sempre são fáceis de dizer "face-to-face". Beijinho e segue em frente!
ResponderEliminar:x..
ResponderEliminarDe resto, estás óptima a escrever!
Um dia escreves um livro, bem sei ;)
Só para dizer "Cá estamos!" :)
ResponderEliminarAHHHHHHH NÂO QUERO MAIS EXAMES!