Havia decidido que o certo era deixar passar um tempo até este segundo desabafo, mas acho que este é o momento para o fazer. Tinha prometido a mim mesma não referir aqui o que ainda sinto, e focar-me somente no que já senti, pois os meus sentimentos de agora já não interessam mais. No entanto, há alguns aspectos que deves saber - sobre mim, ti ou nós (se é que algum dia consideraste haver um “nós”) que considero cruciais para que percebas bem o texto anterior.
Ainda sinto o coração a pulsar cada vez mais forte, quando os meus olhos se cruzam com os teus! Já diz a célebre frase: “O que os olhos não vêem o coração não sente”. É assim que tem de ser por agora – distância de ti e sentimentos à parte. Embora o meu desejo mais profundo, não seja esse, tenho feito mais do que imaginas para fazer jus a esta frase. Passo por cima de vontades, de desejos, de sentimentos, para que não corra o risco de me cruzar contigo novamente. A verdade é que tem resultado, tenho estado bem comigo mesma e é isso que verdadeiramente importa agora. Já me importei demasiado contigo, quando tu, e sabes bem disso, fizeste-o por metade. E lá estava eu, após dias de luta constante pelo meu bem-estar, mais do que convencida que já me estavas a ser indiferente, e isso, é sinal de evolução. Porém, hoje apercebi-me que a evolução que eu pensei ser real, não passara de uma mera ilusão, e todo o bem-estar que tenho sentido, nada mais se deve que ao mundo que eu mesma criei achando que era verídico.
Olho para o lado através da janela do carro, e lá estavas tu – senhor e dono do seu nariz - de sorriso na cara sem te aperceberes da minha presença. O coração que disparou, os olhos que se encheram de um brilho já antes visto, a voz que se calou e o corpo que petrificou. Queria poder abrir a janela e acenar-te, queria poder sair do carro e abraçar-te, sentir mais uma vez a tua pele, o teu toque, mas sabia que não era o melhor a ser feito e então recolhi-me no conforto do assento. Já sabia que aquele era o dia que te teria de falar, percebi-o nesse instante. Dei voltas nas ruas tentando acalmar-me e preparar-me para o que eu sabia que iria acontecer. Não deu tempo! Lá estavas tu mesmo a meu lado, de olhos fixos nos meus, deixando-me completamente sem reacção. Queria que o mundo parasse naquele momento exacto para gravar a tua imagem para sempre comigo. Mas o problema da realidade, é que é efémera e momentânea. Que raiva que tenho dela! Senti então uma voz a dirigir-se a mim e percebi que não estávamos sós e foi então que reagi.
Foi então após o reencontro, que ficou mais que provado para mim mesma, que não me eras ainda indiferente – alegria a minha se o fosses tão cedo e errado seria - mas a verdade, é que me marcaste de tantos modos que não se apaga alguém como que se bastasse um click na tecla “delete”. Era tudo tão mais simples se assim fosse.
Amar alguém é conhecer e compreender o outro. Conheci-te, compreendi-te até mais do que julgas, e apostei em ti como se só de ti dependesse a minha felicidade, mas perdi-me no mundo que criaste para ti e esqueci-me de quem eu era. As dúvidas surgiram, os medos aumentaram e só tu não vias isso em mim. Os porquês foram surgindo devagar e a corroer-me por dentro, e foi nesse momento que tentei mais que tudo compreender-te. Mas tu simplesmente não deixaste! Há motivos que não devem ser ditos e parece-me que os teus foram muitos. Uma relação não vive de dúvidas, vive de certezas – e essas nunca as tivemos.
Bem sei que talvez a tua intenção nunca fosse a de me magoar, mas a verdade é que o fizeste imensas vezes. Não te culpo somente a ti por isso, mas a mim mesma, pois também deixei que o fizesses – cega e fascinada com o que me proporcionavas, perdi completamente a visão do que era realmente importante. Como referi atrás, a tua presença na minha vida marcou-me de inúmeras maneiras – e é aqui que contrariamente ao desabafo feito anteriormente eu te mostro que não te considero somente um “adolescente egocêntrico, narcisista e quase que eremita”. Tu fizeste-me ver o quanto é importante amar e ser amada, fizeste-me ver o quanto é importante saber respeitar o silêncio e o tempo dos outros, fizeste crescer em mim sentimentos dos quais não fazia ideia de que possuía, transformaste-me de menina a mulher, fizeste-me sentir especial em muitas ocasiões, partilhaste comigo algumas coisas que não havias mostrado a mais ninguém, fizeste-me perceber a importância do NÃO como resposta a algumas perguntas e acima de tudo o mais importante fizeste-me lutar por quem eu gostei (gosto).
Há dias atrás, um grande amigo meu, disse-me três regras essenciais da vida: lutar por quem se ama, ter coragem para desistir de quem se ama e saber distinguir a primeira regra da segunda. E ora que o problema morou em eu não ter tido a coragem para ter desistido de ti enquanto devia e agora tudo se torna muito mais difícil. Cada dia que passa é mais um dia de saudade, de desejo de voltar a ter-te perto de mim e não penses que será do dia para a noite, de uma semana para a outra ou de um mês para o outro que te irei esquecer. Se pensas assim, desengana-te! Palavras arrogantes? Palavras frias? O silêncio mórbido nas respostas? Ignorar-me tantas e tantas vezes como já o fizeste há tempos? Nem estas atitudes nem outras semelhantes irão ajudar a que o caminho do esquecimento se torne mais curto e menos penoso. Há dias disseste-me que agias assim, para que mais fácil fosse eu esquecer-te e seguir em frente, mas sabes bem e sempre soubeste que isso de nada vale para quem gosta ao ponto que eu gosto. Amar em demasia a pessoa que não nos ama é perigoso, mas quem disse que no amor o perigo não deve existir?
O tempo irá sarar as feridas que deixaste e as marcas que fizeste e então um novo recomeço irá surgir. Até lá, manter-te como amigo é uma das provas de que tudo o que passei contigo - desde as tardes de cinema às noites de cinema, as quais se mantinham no desejo de possuíres o corpo que tanto querias – valeu a pena e foi importante. Cabe-te a ti decidires agora se tencionas manter-me como tal ou se vais simplesmente esquecer tudo e fingir que nada se passou – mas cobardia e falta de frontalidade, são defeitos que não tens – e por isso acredito que no meio de uma história complicada, o final será mais agradável.
E lembra-te que todo o primeiro desabafo, foi construtivo e nunca destrutivo! Quando o escrevi, sabia que irias ler, pois a curiosidade sempre foi uma das tuas características mais presente. Assim, espero sinceramente que penses um pouco sobre tudo o que aqui escrevi e que sirva também para veres que é valorizando os outros que somos valorizados. É saber agradecer a quem nos ajuda, que seremos novamente ajudados, e é saber acima de tudo amar quem nos ama, mesmo que não do mesmo modo, mas de um modo saudável e não corrosivo, para que futuramente possas ser amar e ser amado!
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Erro na ultima frase.. correcção: "(...)para que futuramente possas amar e ser amado!"
ResponderEliminarSó mais uma pequena coisa que acho que deves ter em conta:
ResponderEliminarReflecte sobre o primeiro texto e guarda apenas na memória o segundo ;)
Neuza, és a maior! Força! Acabou-se esse capítulo... Beijinho. Cristina. :)
ResponderEliminarA forma como descreves os mais pequenos pormenores . A forma como consegues fazer passar tanto sentimento em cada um desses pequenos pormenores .
ResponderEliminarEste texto deixa-me um travo de melancolia difícil de explicar .
*
O AMOR e' isto .
ResponderEliminarE' sentir ao dobro , ou triplo , ou mais ainda . E' ficar parada a olhar e teres imagens que so' tu vês - so' tu sonhas . E' ter o coração a sangrar e sentir a cura , ao mesmo tempo .
E' ser desmedida , em vez de ser « na medida do possi'vel » . E' isto . Rouba vida e sanidade . E e' tão bom .
Aii e so' mais uma coisinha (:
ResponderEliminarADORO essa tua garra de mulher adulta e que sabe bem o que quer ! *.* Admiro - te por seres capaz , por teres um Coração ( em demasia ) deste tamanho .